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E cá estamos em pleno verão a sentir o calor intenso que para alguns é uma tortura mas outros é uma delícia. Com a chegada do verão também chegamos ao final da formação de Hipnoterapeutas 2025/26, um ano de muita partilha com um grupo muito comprometido e claramente com um grande gosto pela área de estudo.
O que acho sempre emocionante é ver as competências adquiridas na prática. Não é fácil ser avaliado assim como não é fácil arranjar tempo para estudar com as nossas vidas tão ocupadas com mil e um requisitos.
Depois de uma pausa de verão iniciamos um novo curso em setembro com um grupo que se está a formar e que será de braços abertos que os recebemos.
A hipnoterapia é uma forma terapêutica cada vez mais procurada e apesar de ser muito antiga, ainda carrega consigo muitos mitos. Medos como perder o controlo, fazer algo contra a própria vontade ou “não voltar” são comuns e persistem, em grande parte, pela forma como a hipnose é retratada em filmes, no palco e na televisão.
Na realidade, no contexto terapêutico a hipnose é simplesmente um estado focado de atenção. Nesse estado, o indivíduo alcança uma profunda calma mental, tornando a mente mais receptiva a sugestões, mudanças cognitivas e transformações que a própria pessoa deseja fazer.
Por isso um bom esclarecimento sobre o que realmente é hipnose é o primeiro passo para libertar o indivíduo desses mitos e abrir o caminho para os benefícios que a hipnoterapia pode oferecer.
Iniciar terapia pode ser um pouco assustador para algumas pessoas. Partilhar a nossa intimidade com alguém desconhecido pode ser difícil e levar-nos a adiar a decisão.
De facto, a terapia implica uma relação entre terapeuta e cliente, e a forma como essa relação se estabelece não está sob o nosso controlo. Sem uma base de confiança, a terapia dificilmente funciona.
Há, no entanto, formas de ultrapassar esta questão. Grande parte dos terapeutas está disponível para ter uma conversa prévia com os clientes antes de agendar a primeira consulta, por telefone ou on-line e essa é uma oportunidade para avaliarmos como nos sentimos e como nos relacionamos. Uma conversa de 15 ou 20 minutos pode não ser suficiente e, nesses casos, devemos estar preparados para mudar de terapeuta, se necessário quando sentimos que a relação não está a funcionar.
A terapia não é para agradar ao terapeuta, mas sim algo feito por ti e para ti, de forma única e exclusiva.
A supervisão é mais do que análise técnica, mais do que teoria, mais do que enquadramento, mais do que método. É um espaço onde o terapeuta pode ser pessoa, onde pode admitir que algo o tocou, que algo o inquietou, que algo o deixou a pensar muito depois da sessão terminar. É aí que percebemos que a nossa humanidade não é um impedimento à prática, é sim parte dela.
A intervisão acrescenta outra camada, a partilha entre iguais. A sensação de que existe uma comunidade que compreende e sabe o que é carregar histórias que, não sendo nossas, nos atravessam.
Numa sessão de terapia o foco é exclusivamente na pessoa que acompanhamos. Talvez até nem haja outra circunstância na vida em que o foco no outro tenha tal intensidade.
Por vezes não é o caso que é difícil, mas sim o que ele desperta no terapeuta. É na supervisão e intervisão que encontramos um espaço para sentir sem nos perdermos. A partilha de casos de uma forma ética não é expor fragilidades, mas sim honrarmos a profundidade do que fazemos.
Na supervisão e intervisão cria-se um espaço de reencontro onde enquanto terapeutas nos reorganizamos, partilhamos e escutamos visões diversas que despoletam em nós criatividade, capacidade de “insight” e um inevitável crescimento.