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Iniciar terapia pode ser um pouco assustador para algumas pessoas. Partilhar a nossa intimidade com alguém desconhecido pode ser difícil e levar-nos a adiar a decisão.
De facto, a terapia implica uma relação entre terapeuta e cliente, e a forma como essa relação se estabelece não está sob o nosso controlo. Sem uma base de confiança, a terapia dificilmente funciona.
Há, no entanto, formas de ultrapassar esta questão. Grande parte dos terapeutas está disponível para ter uma conversa prévia com os clientes antes de agendar a primeira consulta, por telefone ou on-line e essa é uma oportunidade para avaliarmos como nos sentimos e como nos relacionamos. Uma conversa de 15 ou 20 minutos pode não ser suficiente e, nesses casos, devemos estar preparados para mudar de terapeuta, se necessário quando sentimos que a relação não está a funcionar.
A terapia não é para agradar ao terapeuta, mas sim algo feito por ti e para ti, de forma única e exclusiva.
A supervisão é mais do que análise técnica, mais do que teoria, mais do que enquadramento, mais do que método. É um espaço onde o terapeuta pode ser pessoa, onde pode admitir que algo o tocou, que algo o inquietou, que algo o deixou a pensar muito depois da sessão terminar. É aí que percebemos que a nossa humanidade não é um impedimento à prática, é sim parte dela.
A intervisão acrescenta outra camada, a partilha entre iguais. A sensação de que existe uma comunidade que compreende e sabe o que é carregar histórias que, não sendo nossas, nos atravessam.
Numa sessão de terapia o foco é exclusivamente na pessoa que acompanhamos. Talvez até nem haja outra circunstância na vida em que o foco no outro tenha tal intensidade.
Por vezes não é o caso que é difícil, mas sim o que ele desperta no terapeuta. É na supervisão e intervisão que encontramos um espaço para sentir sem nos perdermos. A partilha de casos de uma forma ética não é expor fragilidades, mas sim honrarmos a profundidade do que fazemos.
Na supervisão e intervisão cria-se um espaço de reencontro onde enquanto terapeutas nos reorganizamos, partilhamos e escutamos visões diversas que despoletam em nós criatividade, capacidade de “insight” e um inevitável crescimento.
Parece haver esta ideia que hipnose é regressão e é comum perguntarem-me se faço hipnose regressiva. Hipnose não é regressão nem regressão é a única técnica que se faz em hipnoterapia. Regressão é uma técnica utilizada em hipnoterapia quando adequado. Há muitas outras técnicas que se podem utilizar em hipnoterapia sem ter que remexer no passado, embora por vezes isso seja necessário.
A ideia popular de que “hipnose = regressão” é um daqueles mitos que se espalhou porque é dramático, fácil de imaginar e usado em filmes. Mas na prática clínica, a hipnoterapia é muito mais ampla, subtil e flexível.
A hipnose é um estado de foco e receptividade, onde a pessoa consegue trabalhar melhor com emoções, perceções e comportamentos.
Esse estado pode ser usado para muitas finalidades — e a regressão é apenas uma das ferramentas possíveis, não a definição da hipnose.
É uma técnica que se usa quando faz sentido dependendo do caso e do objectivo terapêutico.
A hipnoterapia trabalha muito no presente e há
inúmeras abordagens que não envolvem voltar ao passado. É perfeitamente possível — e comum — fazer hipnoterapia sem fazer regressão.
A hipnose é um estado de foco que permite trabalhar mudanças internas. A regressão é apenas uma das técnicas possíveis numa sessão de hipnoterapia.
-Teresa Serrano, diretora da LCCH Portugal
Todos os anos vejo o mesmo fenómeno:
pessoas a correr, a comprar, a acumular… quase num estado de transe coletivo.
E questiono-me:
O que é que realmente estamos a tentar preencher?
Quem está a decidir — nós, ou a estratégia do marketing?
Quantas compras são um verdadeiro “sim” interno… e quantas são apenas reação automática?
O que acontece no nosso corpo quando seguimos a urgência, o medo de perder, o impulso?
Será que o “desconto” vale a sensação que fica depois?
Em hipnoterapia, falamos muito sobre escolhas conscientes, autorregulação, pausas, intenção.
E talvez Black Friday seja exatamente o momento para isso:
-> Respirar.
-> Fazer um check-in com o corpo.
-> Questionarmo-nos: “Isto é mesmo para mim?”
-> E, se for não… deixar passar.
Porque o verdadeiro poder não está no preço, está na clareza com que escolhemos.
-Marlien van Leeuwen, student liaison da LCCH Portugal