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Foi num recanto tranquilo bem no centro do país, na Quinta dos Raposos que nos reunimos para um encontro entre alunos e professores. Um espaço acolhedor, rodeado de natureza que recebe pessoas de todo mundo para uns dias de descanso. A quinta está preparada para receber todos, incluindo pessoas com deficiência e com acesso à piscina.

Fomos recebidos pela Célia e pelo Nuno, os anfitriões deste lugar especial, que nos receberam com um sorriso aberto e genuíno. Ali bem no coração do país, encontramo-nos para celebrar o caminho percorrido durante este ano letivo de aulas e fortalecer laços.
A tarde desenrolou-se entre conversas, risos, mergulhos e canções à volta da mesa e da piscina e a palavra-chave do dia foi empatia. Essa capacidade tão simples em alguns contextos, e tão desafiante noutros, mas que aproxima, cura e dissolve fronteiras. Perceber o mundo interno do outro é um gesto de coragem e presença.

Em setembro iniciamos um novo curso de hipnoterapia. Mais do que uma ferramenta de trabalho para nós, a hipnoterapia é também um caminho para reduzir o ruido mental e reencontrar clareza e reconectarmo-nos com os nossos recursos internos.
Terminamos o dia com a sensação de leveza e alegria pela escolha de estarmos juntos. Saímos com vontade de repetir, de continuar a construir uma comunidade e de manter viva esta forma tão humana de aprendermos uns com os outros.

Boas férias a todos, que este verão traga repouso, inspiração e presença!
Escrevo este texto não apenas como hipnoterapeuta, mas também como enfermeira. Trabalhei durante vários anos em contexto hospitalar nos Países Baixos e testemunhei diariamente o impacto do medo, da ansiedade e do stress nos pacientes. Foi precisamente por isso que, há mais de 20 anos, decidi estudar Hipnoterapia. Procurava uma forma de apoiar os meus pacientes a um nível mais profundo, muitas vezes inconsciente.
Naquela altura, falar de hipnose nem sempre era fácil. Muitas pessoas associavam a hipnose a espetáculos ou a algo pouco científico. Felizmente, isso tem vindo a mudar. Hoje existe cada vez mais investigação que demonstra os benefícios da hipnoterapia em diferentes situações clínicas, especialmente no apoio a crianças e adolescentes.
Recentemente acompanhei de perto a situação de uma adolescente de 15 anos. Depois de uma cirurgia ao apêndice, surgiram complicações e teve de voltar a ser internada. Estava muito debilitada, ansiosa e não conseguia parar de vomitar. Sentia-se completamente sem forças.
A equipa médica explicou-lhe que era muito importante conseguir parar de vomitar. Caso contrário, seria necessário colocar uma sonda nasogástrica, algo que a assustava bastante.
Como complemento ao tratamento médico, sugeri à mãe que perguntasse à filha se estaria disponível para ouvir algumas gravações de hipnoterapia. Naquele momento, sentia-se tão desesperada que estava disposta a experimentar tudo o que pudesse ter, por mais pequena que fosse, uma possibilidade de a ajudar a sentir-se melhor.
Mais tarde, tanto a mãe como a própria jovem contaram-me que, enquanto ouvia a gravação, teve pela primeira vez a sensação de que alguém compreendia verdadeiramente aquilo que estava a viver. Isso emocionou-a profundamente. Mas, mais importante ainda, conseguiu relaxar e, pela primeira vez em vários dias, o seu corpo acalmou. A partir desse momento deixou de vomitar e, nos dias seguintes, a recuperação evoluiu rapidamente. Pouco tempo depois teve alta hospitalar e a evolução clínica foi muito positiva.
Quero deixar uma coisa muito clara: a hipnoterapia não tratou a infeção.
Foram os médicos, os enfermeiros, os antibióticos e todos os cuidados prestados no hospital que trataram o problema físico.
Mas a hipnoterapia ajudou a reduzir a ansiedade, o medo e a tensão. E quando um paciente consegue sentir-se mais calmo e seguro, o seu corpo também responde de forma diferente ao tratamento. É por isso que vejo a hipnoterapia clínica como um complemento aos cuidados médicos, e nunca como um substituto.
O que mais me fez refletir foi perceber que esta situação aconteceu num hospital nos Países Baixos, um país onde a hipnose clínica já está integrada em vários hospitais. Existem equipas que utilizam esta abordagem em Pediatria e, em muitos locais, crianças com dor abdominal funcional são encaminhadas pelos médicos de família e pediatras para hipnoterapia, porque tanto a investigação científica como a prática clínica demonstram resultados muito positivos.
Não se trata de acreditar ou não na hipnoterapia. Trata-se de conhecer aquilo que a evidência científica já nos mostra e de estar disponível para integrar ferramentas que possam beneficiar os nossos doentes.
Apesar destes avanços, percebi que nem todos os profissionais que acompanharam esta jovem conheciam esta possibilidade. Houve curiosidade, fizeram perguntas e mostraram interesse. Para mim, isso foi um sinal muito positivo. A mudança começa sempre pelo conhecimento.
Ao pensar nesta experiência, não consigo deixar de olhar para a realidade em Portugal. Aqui, a hipnoterapia continua a ser pouco conhecida no contexto hospitalar e muitas famílias nem sequer sabem que pode ser uma ferramenta complementar, segura e baseada na evidência científica.
Não escrevo isto para criticar os profissionais de saúde. Sei bem a dedicação com que médicos, enfermeiros e outros profissionais trabalham todos os dias.
Escrevo porque acredito que podemos fazer ainda melhor.
Se existem ferramentas que ajudam um paciente a sentir menos medo, menos ansiedade, menos dor e mais confiança durante um tratamento médico, então vale a pena conhecê-las e integrá-las sempre que fizer sentido.
Foi precisamente por momentos como este que, há mais de 20 anos, decidi estudar Hipnoterapia.
Espero sinceramente que, nos próximos anos, cada vez mais profissionais de saúde em Portugal descubram o potencial da hipnoterapia clínica e que mais crianças e adolescentes possam beneficiar de uma abordagem verdadeiramente integrada, onde a medicina e a hipnoterapia trabalham lado a lado, sempre com o mesmo objetivo: cuidar melhor de quem mais precisa. -Marlien van Leeuwen
Nota: A fotografia que acompanha esta publicação é meramente ilustrativa. A jovem retratada não é a adolescente mencionada neste testemunho. A sua utilização tem como único objetivo ilustrar o tema, protegendo integralmente a privacidade e a identidade da paciente.
E cá estamos em pleno verão a sentir o calor intenso que para alguns é uma tortura mas outros é uma delícia. Com a chegada do verão também chegamos ao final da formação de Hipnoterapeutas 2025/26, um ano de muita partilha com um grupo muito comprometido e claramente com um grande gosto pela área de estudo.
O que acho sempre emocionante é ver as competências adquiridas na prática. Não é fácil ser avaliado assim como não é fácil arranjar tempo para estudar com as nossas vidas tão ocupadas com mil e um requisitos.
Depois de uma pausa de verão iniciamos um novo curso em setembro com um grupo que se está a formar e que será de braços abertos que os recebemos.
A hipnoterapia é uma forma terapêutica cada vez mais procurada e apesar de ser muito antiga, ainda carrega consigo muitos mitos. Medos como perder o controlo, fazer algo contra a própria vontade ou “não voltar” são comuns e persistem, em grande parte, pela forma como a hipnose é retratada em filmes, no palco e na televisão.
Na realidade, no contexto terapêutico a hipnose é simplesmente um estado focado de atenção. Nesse estado, o indivíduo alcança uma profunda calma mental, tornando a mente mais receptiva a sugestões, mudanças cognitivas e transformações que a própria pessoa deseja fazer.
Por isso um bom esclarecimento sobre o que realmente é hipnose é o primeiro passo para libertar o indivíduo desses mitos e abrir o caminho para os benefícios que a hipnoterapia pode oferecer.