A supervisão é mais do que análise técnica, mais do que teoria, mais do que enquadramento, mais do que método. É um espaço onde o terapeuta pode ser pessoa, onde pode admitir que algo o tocou, que algo o inquietou, que algo o deixou a pensar muito depois da sessão terminar. É aí que percebemos que a nossa humanidade não é um impedimento à prática, é sim parte dela.
A intervisão acrescenta outra camada, a partilha entre iguais. A sensação de que existe uma comunidade que compreende e sabe o que é carregar histórias que, não sendo nossas, nos atravessam.
Numa sessão de terapia o foco é exclusivamente na pessoa que acompanhamos. Talvez até nem haja outra circunstância na vida em que o foco no outro tenha tal intensidade.
Por vezes não é o caso que é difícil, mas sim o que ele desperta no terapeuta. É na supervisão e intervisão que encontramos um espaço para sentir sem nos perdermos. A partilha de casos de uma forma ética não é expor fragilidades, mas sim honrarmos a profundidade do que fazemos.
Na supervisão e intervisão cria-se um espaço de reencontro onde enquanto terapeutas nos reorganizamos, partilhamos e escutamos visões diversas que despoletam em nós criatividade, capacidade de “insight” e um inevitável crescimento.



